1 de agosto de 2017

Campanha reivindica patrimônio sagrado aprisionado no Museu da Polícia Civil





Na foto: Mãe Luisinha de Nanã, que recente foi recentemente alvo de severos episódios de intolerância religiosa, quando sua casa religiosa, foi removida da Vila Autódromo por conta da preparação da cidade para receber as Olimpíadas de 2016. Foto: Acervo da Campanha

Liberte Nosso Sagrado


Durante o período da Primeira República (1889-1930), uma prática comum da polícia era perseguir os cultos das religiões de matriz africana, invadindo terreiros e   apreendendo objetos sagrados. Apesar da Constituição de 1891 garantir a liberdade de crença e culto, o Código Penal de 1890 criminalizava essas casas sagradas tipificando as manifestações como curandeirismo, baixo espiritismo e exercício ilegal da medicina. 


Numa clara manifestação de racismo religioso promovido pelo Estado, os terreiros eram violados, os religiosos presos, e seus objetos sacros apreendidos. Esse Código Penal estabelecia, portanto, uma legislação que legitimava o racismo religioso, representando um instrumento que faz parte do racismo estrutural brasileiro.  Não podemos esquecer que   esse   mesmo Código  também reprimia a capoeira e o samba, ou seja, criminalizava quase tudo que   era   oriundo   da   cultura   afro-brasileira. A partir da compreensão que os objetos sagrados foram apreendidos por uma lei ilegítima e racista, é preciso reconhecer que ocorreu   uma   injustiça   histórica   com as religiões   de   matriz   africana.   O   Estado deve   reconhecer   os   crimes cometidos durante todos esses anos em que as religiões afro-brasileiras foram perseguidas e os anos que estes objetos sagrados estão presos. 


Estas peças estão atualmente aprisionadas no Museu da Polícia Civil do Estado do Rio   de   Janeiro. As peças foram denominadas “Coleção Magia Negra” e, antes de serem encaminhadas para a reserva técnica na década de 1990, ficavam expostas junto   a   bandeiras nazistas e armas, numa clara profanação e desrespeito ao sagrado afro-brasileiro.


Em 2010, o Museu da Polícia fechou as portas, pois necessitava de obras estruturais e verba para que pudesse ser reinaugurado. Ou seja, além da falta de acesso, ainda nos deparamos com a inadequada condição de conservação dos objetos sagrados, que possuem importância ímpar para o melhor conhecimento da história de nosso país.


Por que precisamos libertar as peças sagradas? O fato dessas peças estarem sob a posse da Polícia Civil há mais 100 anos revela que pouco avançamos em relação ao respeito à pluralidade e diversidade religiosa, em nosso país. Mais do que necessária, a libertação   do acervo sagrado é urgente! Atualmente, a coleção encontra-se em caixas e dentro de uma sala não climatizada. Além disso, não há informações sobre o seu real estado de conservação. Estudiosos, cineastas e o povo de terreiro não conseguem acessar o acervo.






 Breve História da coleção “Magia negra”


            Desde o período colonial (1500-1822) as religiões praticadas pelos indivíduos trazidos a força do continente africano como escravos foram perseguidas, criminalizadas e vitimadas pelo racismo religioso. Mesmo com a vigilância e o controle dos senhores e dos capatazes, os escravos conseguiram cultuar seus orixás, seus deuses e suas religiões. Após a independência do Brasil em 1822, esse cenário não mudou e as religiões de origem africana permaneceram sendo perseguidas e combatidas pelo Império, que tinha como religião oficial o catolicismo. 


            Em 1889, o Brasil deixou de ser uma Monarquia e tornou-se uma República e, apesar de a Constituição de 1891 estabelecer o Estado laico, as religiões afro-brasileiras continuaram sendo criminalizadas. No Código Penal de 1890, os artigos 156, 157 e 158  proibiam: “o curandeirismo, a prática ilegal de medicina, o baixo espiritismo, a magia e seus sortilégios, bem como usar talismãs e inculcar cura de moléstias curáveis ou incuráveis”. Esse artigo criminalizava as práticas religiosas de origem africana e legitimava que as forças policiais cometessem abusos e atrocidades contra os adeptos dessas religiões e seus locais de culto.


            O resultado foi que, durante a Primeira República (1889-1930) e a Era Vargas (1930-1945), a polícia perseguiu e invadiu centenas de centros de umbanda e terreiros de candomblé não só na cidade do Rio de Janeiro, mas em todo o país. Essas violações ocorreram especialmente a partir das denúncias recebidas pela polícia.  Os yalorixás, babalorixás e religiosos eram presos e incriminados pelos artigos 156, 157 e 158 do Código Penal. Eram instaurados processos em que a polícia buscava comprovar que o acusado ou acusada era um "feiticeiro perigoso" e que fazia "feitiços maléficos".


Foto: Ian Cheibub
 As batidas policiais nos terreiros e centros não só levavam presos os religiosos como também apreendiam os objetos sagrados utilizados nos cultos. Durante esse período eram apreendidos objetos como vestimentas, velas, estatuetas, penachos, anéis, talismãs, atabaques, representações de caboclos e orixás, imagens, assentamentos, pembas, entre outros. Ao longo de 40 anos, mais de 200 peças foram apreendidas e armazenados no 1° Departamento de Polícia do Rio de Janeiro. Em 1938, essa coleção foi tombada pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.  Foi o primeiro tombamento etnográfico, reconhecendo o valor artístico, religioso e histórico destes objetos sagrados.


            Em 1945, o acervo afro religioso foi transferido para o Museu de Criminologia, posteriormente chamado de Museu da Polícia. O acervo foi nomeado de maneira pejorativa e discriminatória como “Coleção de Magia Negra”. Permaneceu durante anos sendo exposta aos visitantes ao lado de outros objetos apreendidos como armas, falsificações, bandeiras nazistas e integralistas, dentre outros objetos associados ao crime. É importante ressaltar que os objetos sagrados afro-brasileiros eram expostos de maneira desrespeitosa, uma vez que eram considerados "amaldiçoados" e possuidores de "energias maléficas". Inclusive os funcionários do Museu alertavam os visitantes para o “perigo” representado por tais objetos.


            O prédio onde funcionou e funciona hoje o chamado Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro também foi durante os anos da Ditadura Civil-Militar (1964-1985) sede do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Neste local, centenas de militantes foram presos e torturados nos "anos de chumbo". Foi nesse local que Olga Benário ficou presa antes de ser deportada para a Alemanha, onde seria assassinada pelo regime nazista de Adolf Hitler. Pelo valor sacro e religioso que essas peças têm para milhões de brasileiros as mesmas não podem permanecer em um prédio que carrega uma memória tão negativa e que foi centro de inúmeras ações violadoras dos direitos humanos. 


            Em razão de um incêndio que atingiu o edifício do Museu da Polícia em 1989, muitos desses objetos sagrados aprisionados foram danificados, enquanto outros desapareceram. Desde 1999, a então chamada “Coleção de Magia Negra” deixou de ser exposta ao público. A direção do Museu não tem explicações para tal decisão, o que nos leva a uma interpretação de que tal decisão foi tomada provavelmente por motivos de racismo religioso. Atualmente, o acervo encontra-se em reserva técnica e, apesar de pouca coisa ter mudado, essa breve história atesta como as religiões afro-brasileiras e seus adeptos foram vítimas do racismo religioso estatal durante a primeira metade do século XX. O fato de há 100 anos essas peças estarem sob a posse da Polícia revela que não avançamos na garantia do direito  à  pluralidade religiosa. Trata-se de uma ameaça a liberdade de culto.




Sacerdotes e Sacerdotisas de terreiros do Rio de Janeiro apoiam a campanha. Foto feira durante as homenagend do Prêmio Iya Nitinha de Osun. Foto: Paula Jardim Duarte




Porque precisamos libertar o sagrado afro-brasileiro. 


A apreensão dessa coleção é um terrível crime contra a fé afro-brasileira. Mais do que objetos de culto sob o domínio do Estado racista, trata-se de representações vivas de divindades ancestrais africanas e das forças da natureza que são cultuadas. Nos ritos, os colares se tornam sagrados, os atabaques, após sacralizados, se transformam verdadeiras divindades, capazes de trazer as deusas e deuses, para a África que se reconstrói nos espaços do terreiros. As peças são todas sagradas por excelência. São imagens vivas, são corpos negros, e assim como a maioria dos corpos negros afro-brasileiros, foram e ainda são violentados e estão encarcerados no Museu da Polícia Civil pelo processo racista e eugenista que segue em curso desde a invasão das terras brasileiras pelos europeus. 

  Por todo esse histórico, se faz urgente que o Estado, para além do reconhecimento das violações ao longo dos séculos, estabeleça uma reparação histórica aos praticantes das religiões afro brasileiras. Desta maneira, cabe ao Estado algumas ações no que tange à reparação histórica dessas religiões que foram violentadas, criminalizadas e perseguidas pelos órgãos estatais. O primeiro passo para reparação histórica é a libertação do acervo sacro afro-religioso que se encontra no Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O segundo passo, é a criação de um Museu das Religiões de Matriz Africana que abrigue este e outros acervos, que exalte a história, a liturgia, as práticas, os objetos das religiões afro-brasileiras, e ao mesmo tempo que aborde a intolerância e o racismo religioso na história do Brasil. Da mesma maneira que as peças religiosas católicas estão no Museu de Arte Sacra do Rio de Janeiro, objetos sagrados dos judaicos encontram-se no Museu Judaico do Rio, este acervo afro religioso deve estar em um Museu que exalte e respeite o valor religioso, histórico e artístico dessas peças. 


Foto: Paula Jardim Duarte


Ações da campanha Liberte Nosso Sagrado


A articulação em torno da campanha Liberte Nosso Sagrado foi iniciada em março de 2017 a partir do contato com lideranças religiosas das diferentes religiões, pesquisadores ligados a universidade, representantes de organizações da sociedade civil. Uma primeira reunião de apresentação da campanha foi realizada a partir da iniciativa do Mandato Coletivo do Deputado Estadual Flávio Serafini (Psol), ocasião em que foram discutidos detalhes sobre como a campanha seria lançada. Ficou decidido que algumas ações seriam realizadas. Está sendo organizada uma representação para o Ministério Público que contará com a adesão de terreiros de candomblé e umbanda, organizações da sociedade civil e pesquisadores que se dedicaram ao tema nos últimos anos. Criamos uma página no facebook que está sendo atualizada diariamente com informações sobre atos públicos e através da qual todos nós podemos manifestar o nosso apoio com a publicação de uma foto com o cartaz da campanha com a #LiberteNossoSagrado.
 Em paralelo a essas ações, estão sendo realizadas reuniões com representantes de museus e instituições que possam receber essa coleção, pois o grande desafio é que ao longo desses anos não houve nenhum esforço de pesquisa que buscasse identificar o contexto em que as imagens foram apreendidas e/ou o terreiro de origem de cada peça. Também está sendo produzido pela Quiprocó Filmes o documentário “Nosso Sagrado”, em que será abordado o aprisionamento do acervo afro religioso no Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro desde o início do século XX, através de entrevistas com parlamentares, pesquisadores, lideranças religiosas, museólogos e militantes da liberdade religiosa. As filmagens estão acontecendo e a previsão de lançamento é para o segundo semestre de 2017.



APOIE ESSA CAMPANHA. Imprima o cartaz, faça sua foto e publique com a tag #LiberteNossoSagrado




Fernando Sousa –Diretor da Quiprocó Filmes e pesquisador associado ao Instituto de Estudos da Religião (ISER). Dirigiu com Tais Capelini e Alexandre Borges o documentário “Intolerâncias da Fé” [Canal Futura], além de assinar o roteiro e a produção do filme. Junto com a Stela Guedes Caputo, dirigiu o vídeo “Axé com Freixo”, realizado no âmbito da candidatura de Marcelo Freixo para a prefeitura do Rio de Janeiro. É um dos colaboradores da campanha Liberte Nosso Sagrado e é um dos diretores do documentário “Nosso Sagrado”.


Gabriel Barbosa – Diretor da Quiprocó Filmes. Cursa o doutorado em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense (PPGA/UFF). É pesquisador associado ao Laboratório de Etnografia Metropolitana (LeMetro/IFCS-UFRJ). É um dos colaboradores da campanha Liberte Nosso Sagrado e é um dos diretores do documentário “Nosso Sagrado”.


Jorge Santana – Coordenador da campanha Liberte Nosso Sagrado. É professor de História e Mestre em Ciências Sociais. Faz parte da equipe da campanha Liberte Nosso Sagrado e da equipe de produção e direção do documentário “Nosso Sagrado”.


Roger Cipó - Fotógrafo pela Escola São Paulo. Sua pesquisa de imagem etnográfica estuda as experiências de fé e relação de adeptos das religiões de matriz africana com os territórios sagrados e suas comunidades. É gestor da Olhar de um Cipó, plataforma digital contemplada com o Prêmio Almerinda Farias Gama para Comunicadores Negros (2016). Dentre seus trabalhos publicados e expostos estão as séries "Oju: Quando olhares contam histórias" (2013), "Oju Mimo" (2015), Gravidez Sagrada (2016), "A beleza da Identidade" - ensaio para o a publicação Ocupação Abdias do Nascimento (2016), e compôs o livro "Herança Africana no Rio de Janeiro", sob coordenação de Milton Guran. Seu trabalho mais recente é a exposição fotográfica "AFÉTO", que segue em cartaz até 2 de setembro de 2017, na Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, dentro da programação do FotoRio - Festival Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro.




30 de junho de 2017

Roger Cipó exibe registros inédito no Instituto Pretos Novos



Exposição fotográfica revela as relações de afeto nos terreiros de Candomblé


Será inaugurada no dia 08 de Julho, sábado, às 16 horas, a exposição ATO, de Roger Cipó, curadoria de Marco Antonio Teobaldo, na Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea. Em sua primeira exposição individual, o fotógrafo volta toda a sua atenção para as relações de afeto constituídas dentro dos terreiros de Candomblé, a partir de sua experiência como iniciado na religião.

Depois de percorrer dezenas de terreiros no estado de São Paulo, Cipó foca sua pesquisa no  Asè Iya G'unté, localizado em Juquitiba, onde percorreu pelas rotinas mais comuns de seus adeptos, até às mais complexas. As imagens reveladas apresentam a interação dos fiéis entre si, como uma família ao redor de suas obrigações, e, durante as cerimônias, quando os orixás manifestam seu afeto por meio de seus sacerdotes.

De acordo com o artista, mais que um registro documental sobre um aspecto específico do Candomblé, o trabalho reitera a importância das relações interpessoais como forma de resistência da cultura afro-brasileira. O resultado da mostra se amplifica quando exibida sobre o sítio arqueológico do Cemitério dos Pretos Novos, dentro da programação do festival de fotografia FotoRio.

A Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea tem acolhido dentro de sua programação diversas temáticas de exposições de Artes Visuais, realizadas por artistas contemporâneos do Rio de Janeiro e de outras localidades. A partir de pesquisa realizada pelo curador do espaço, Marco Antonio Teobaldo, os artistas convidados apresentam livremente suas propostas, tendo como ponto de partida as suas percepções acerca do ambiente expositivo e a importante história que ele abriga. Esta experiência tem superado expectativas e trazido excelentes resultados, que se refletem na crescente visitação que o espaço  vem recebendo, desde a sua inauguração e o Prêmio Ações Locais, concedido pela prefeitura.

Clique para página do evento e mais informações



Ficha técnica:
fotografia: Roger Cipó
curadoria: Marco Antonio Teobaldo
coordenação geral: Merced Guimarães dos Anjos
impressão: Estúdio Print
produção: Quimera Empreendimentos Culturais
parceria: FotoRio
realização: IPN

Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea
abertura: 08 de Julho de 2017 - 16h
visitação:  11 de Julho a a 02 de Setembro de 2017
terça à sexta (13h às 19h) e sábado (10h às 13h)
GRÁTIS

Rua Pedro Ernesto, 32 - Gamboa - Rio de Janeiro - fone: (21) 2516-7089
e-mail: pretosnovos@pretosnovos.com.br     -     instagram: @institutopretosnovos

Assessoria de Imprensa
Quimera Empreendimentos Culturais
f(21)98015-4444 - quimera.rio@gmail.com



28 de junho de 2017

Em memória a Mãe Beata, Nova Iguaçu institui Dia de Combate a Intolerância




Mãe Beata de Yemoja - Fonte: O Globo

No último maio, o Brasil ficou orfão com a passagem de Beatriz Moreira Costa, a Mãe Beata de Yemoja. Naquela manhã fria de sábado, o povo de terreiro silenciou com os atabaques e os orixás do candomblé anunciaram o nascimento da vida ancestral de uma das sacerdotisas mais importantes da história. Foi também naquele dia que todo o bairro de Miguel Couto, na baixada fluminense (RJ), chorou a morte da sua ilustre moradora, que ali fundou, há 32 anos, o Ile Omi Oju Aro, e que em 2015 foi premiado Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pela preservação da herança e tradição afro-brasileira.

Em memória e respeito ao seu legado, a Câmara de Nova Iguaçu (RJ) instituiu o Dia Municipal de Luta contra a Intolerância e Preconceito, a ser lembrado todo 27/05, dia da morte física de Mãe Beata. A notícia foi dada por publicação na página de Adailton Moreira, filho carnal e Babá Egbé do Ile Omi Oju Aro.




Cópia do documento publicado por Adailton Moreira, Babá Egbé 

Iyalorisá, escritora, militante dos direitos humanos e presidente da Ong Criola, Mãe Beata lutou incansávelmente pela dignidade dos povos de matriz africana, do movimento negro e periférico, e pelas mulheres. 

Para o povo de terreiro, a sacerdotisa abençoada por Yemoja e Esù vive em seu quilombo-terreiro. Vive na tradição que se perpetua, na luta contra o racismo religioso, no toque de cada atabaque, nos avanços das mulheres negras, em cada punho cerrado que se levanta por direitos de existir.

Clique Aqui e relembre uma das respostas mais lindas de Mãe Beata sobre o que é Candomblé, para Lazaro Ramos. 


Viva a história de Beatriz Moreira Costa! 
Mãe Beata, Presente!  


12 de abril de 2017

O Candomblé me Salvou: o lindo relato de um "Viado, Preto, Marginalizado"


Por Thiago Ketu 


"O candomblé me salvou!
No meu momento mais crítico, ao buscar Deus em minha religião de berço encontrei a danação, filho do pecado eu era chamado.
Viado, preto, marginalizado, não tinha lugar meu na religião do opressor, somente aquele a mim designado.

Me afastei daquela doutrina que dizia que Deus me culpava por ter me feito assim, como podia? Ser culpado de ser como Ele me criou?
Busquei Deus em muitos lugares e quando já desistia, Ele veio a mim.
Me mostrou sua face, se mostrou preto e no meu corpo floreceu Seu jardim.
Hoje eu O chamo de Olorum e a cada momento Ele é tudo e um...
É o vento na pele Oyà, é a doçura da água Oxum. É céu claro e nuvem Oxalá, é a Terra e o espaço Aye, Orun. É a boca da noite, prazer e mistério Yewà, é o romper da aurora respirar do corpo Exú.
Descobri Deus, negro igual a mim.
No candomblé eu O reencontrei, no Candomblé me descobri.
Não mais tive vergonha de minha cor, não mais busquei ser quem eu não sou, percebi que minha natureza é embutida em mim e faço parte de tudo que Ele é.
O Candomblé me livrou da culpa de ser quem sou, me deu deveres me construiu valor".

Depoimento extraído do perfil pessoa de Thiago Ketu, filho de Osun, membro do Coletivo OKÀN DÌMÓ, e gestor da página Òrìsà Léwà
Foto: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved

10 de abril de 2017

Simples Assim - Leci Brandão, pelo Olhar de um Cipó


Fé, Devoção, Ancestralidade e Samba na Alma. 

Simples Assim é o título do mais novo cd da cantora e compositora Leci Brandão, uma das mais importantes artistas do país. 

Confira aqui algumas imagens do ensaio que teve todo material fotográfico produzido pela Olhar de um Cipó











Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved

17 de março de 2017

O Requinte de Mam’etu Mabeji, a Flor do Candomblé


Há 76 anos o terreiro Kupapa Unsaba, conhecido como Bate Folha RJ, foi fundado por Sr. João Correia de Mello, o João Lessengue.
Sr. João era um homem de muito bom gosto. Além do capricho com o terreiro, vestia-se com elegância e determinava que os filhos da casa se vestissem com o mesmo requinte. Esse mesmo requinte foi herdado pela sua sobrinha carnal Floripes Correia da Silva Gomes ou Mam’etu Mabeji que assumiu o Bate Folha em 1972 e o comanda nos dias atuais.

Mam’etu Mabeji nasceu em 10 de fevereiro de 1936 em Salvador/BA, no bairro da Liberdade. Veio para o Rio de Janeiro com 10 anos. Aos 11 anos de idade, no dia 20 de abril de 1947, foi iniciada para o Inkise Nsumbu pelo Sr. João Lessengue.
Em 1956, Mam’etu Mabeji casou-se com o Tata Nguzu José Milagre. Com o falecimento do Tat’etu Lessengue em 1970 e a ascensão de Mam’etu Mabeji em 1972 ao comando do Kupapa Unsaba, Tata Nguzu José Milagre tornou-se o seu braço direito, conservando junto com ela todo o primor da tradição Congo-Angola. Tata Nguzu José Milagre faleceu em 1999.
Neste ano de 2017, Mam’etu Mabeji completa 70 anos de iniciada e uma superfesta homenagem já vem sendo organizada há um ano pela sua neta carnal Ingrid Milagre e por toda a família Kupapa Unsaba.

Em sua homenagem, o DVD intitulado ‘A Flor do Candomblé’ será lançado exatamente no dia do aniversário de sua iniciação: 20 de abril. Esse DVD conta a sua trajetória e traz depoimentos de personalidades do Candomblé.
Já no dia 22 de abril, uma grande festividade no Kupapa Unsaba, em agradecimento ao Inkise Nsumbu por todo o amparo a Mam’etu, promete levar uma multidão de amigos que querem abraçar e reverenciar a tão querida Mam’etu Mabeji!

Personalidades que participam do DVD:
Bira de Xangô do Ilé Àse Ojú Ògodò, Criollo de Nanã do Ilé Àse Awo Wurassian, Elias de Yansã do Ylê Ashè Efón, Fernando de Oxossi do Yle de Erinlê Axé Layò, Ìcaro Ti Ososi do Ilé Asé N’ila Ode, Ogan Bangbala do Asé Shangrilá, Bàbálorixá Luiz Fernando de Oxóssi e Yalorixá Regina Lúcia de Yemanjá do Axé Òpó Afonjá e o Ogan e escritor José Beniste. Yalorixá Beata de Yemanjá do Ilé Omiojuaro. Mam´etu Mabeji Kupapa Unsaba, Mesu Eiando também do Kupapa Unsaba. Tat´etu M’beji do Kisaba Oxi.
Solenidades:
Dia 20 de abril, quinta-feira, às 18h, lançamento do DVD ‘A Flor do Candomblé’ e uma super apresentação do Afoxé Bamba no Arô, dirigido por André Simpatia.
Dia 22 de abril, sábado, às 16h, grande Kizomba (festa) saudando Nsumbo, o Rei da Terra.
Kupapa Unsaba-Bate Folha, Rua Edgard Barbosa 26, Anchieta/RJ.
Sakidila Mbuntu Ngola! (Louvada seja a Nação de Angola!)
Aueto!
Fonte: Extra/Globo
Fotos que ilustram a matéria: Todos os direitos reservados para Roger Cipó - Olhar de um Cipó 

14 de março de 2017

Cores, Instantes e Movimento: Olhares do Transe Sagrado


"As cores que revivem a presença sagrada. Os instantes quando a África Ancestral se faz. Movimentos que embalam a vida nos territórios de fé negra, e suas reticências. 
É nessa perspectiva que o fotógrafo Roger Cipó compartilha parte do acervo da Olhar de um Cipó, que há anos se dedica na documentação da imagem de terreiro, propondo através de suas imagens uma possibilidade de construir novas narrativas a cerca do registro do universo ritual e cotidiano na religiosidade do candomblé, tendo a fotografia como ferramenta de descontrução de olhares intolerantes".























Por: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved